...
Caindo do terceiro andar daquele pequeno prédio, fiquei pensando se poderia ser tudo isso um pesadelo, e de que nada do que passamos até agora poderia ser real. Mas receio ter me enganado, afinal de contas, dizem que não podemos gritar nos sonhos, nem sentir dor, muito menos morrer. Mas isso é o que dizem. Estava cansado, e Jessy já não agüentava mais de tanto gritar. Tentei pensar rápido naquele momento, mas estávamos caindo do terceiro andar, felizmente vi que nossa queda seria amortecida quando reparei que havia uma pequena piscina congelada logo embaixo de nós. Que foi exatamente onde caímos com alguns bichos vindo em cima de nós... Tínhamos escapado por pouco do terror que arrombara a porta e fez com que ela voasse como uma folha pela janela levando uma parte da parede, e alguns monstrinhos. Enquanto caíamos Jessy, segurou o grito por alguns instantes e me apertou forte. Nunca pensei que aquele pulo fosse demorar tanto, até que der repente nossos corpos foram envoltos por algo extremamente frio. Era a água quase congelada do lago que nos salvou. Segurei Jessy firmemente pelo braço e a levei até a margem e logo a tirei da água. Saí logo em seguida tremendo por causa do frio extremo e me deitei ao seu lado olhando para cima. Em meio às chamas que agora ardiam brutalmente em todo o apartamento eu vi um vulto. Seria o que nos seguia esse tempo todo? Seja lá o que for sabia que tínhamos sobrevivido à queda, e com certeza viria atrás de nós novamente. Mas em algum momento eu pude ver dentro daquela sombra duas luzes vermelhas extremamente penetrantes, que me observava como olhos. Olhos de um caçador implacável sedento por ter deixado sua presa escapar. Eu podia ver isso nas chamas vermelhas que brotavam daquela sombra imergente.
Em meio aquele terror todo, ouviu-se um silêncio repentino que foi quebrado com o som de uma sirene estrondosa que foi aumentando de volume até atingir um nível ensurdecedor. Aquela sirene ecoava em todo o vilarejo. Se parecia muito com um toque de recolher e por incrível que pareça, tudo estava se transformando de forma inexplicável. Os pequenos insetos agora se desfaziam no ar como se fosse poeira e desapareciam no ar. As paredes o chão, tudo estava se tornando em cinzas e revelando algo mais próximo da realidade por debaixo da escuridão que estava por toda a parte. Olhei para cima e aquele espectro havia desaparecido. Acho que eu podia sentir até mesmo a luz se aproximando e expulsando tudo aquilo, mas estranhamente mal conseguia manter meus olhos abertos. Olhei para Jessy, mas ela estava desacordada há algum tempo. Não pude resistir muito e acabei apagando.
Despertei com pequenos flocos de neve caindo em meu rosto quente, que escorriam ao se derreterem. Custei abrir os olhos e percebi que nevava um pouco. Era estranho, pois naquela época do ano não costumava nevar. Tentei me levantar e percebi que havia me ferido no braço, e logo comecei a me lembrar do que tinha acontecido. Quando toquei meu ferimento no braço senti uma leve dor, e sabia que nada do que tinha supostamente sonhado teria sido irreal. Assustei-me um pouco e logo me lembrei de Jessy e de nossa queda. Olhei para o lado e não vi nada, por causa do sol que mesmo fraco, me fazia fechar os olhos por não estar acostumado ainda com sua luz forte que refletia na neve. Forcei novamente a visão ao meu redor e vi Jessy quase soterrada debaixo da neve. Tentei me levantar e correr até onde ela estava, mas mal pude me levantar, então cheguei até ela engatinhando. Toquei o rosto dela e a chamei pelo nome, mas o rosto dela estava muito gelado, e ela estava pálida demais. Aproximei o meu ouvido da boca dela e senti que sua respiração estava fraca. Temi pelo pior. Afastei a neve que estava em volta dela e a peguei em meus braços. Levantei-me com muito esforço e a levei até o outro lado da rua. Reparei que a rua estava coberta de neve e que não havia pessoas em parte alguma. Parei em frente a um café e arrombei a porta com um chute. Ao entrar percebi que o lugar estava bem arrumado e quente, deitei Jessy em um sofá que havia no local e a cobri com um casaco que encontrei pendurado em uma cadeira próxima ao bar. Virei-me e tentei ver se havia alguém por lá, mas não pude encontrar ninguém, então me aproximei do balcão e tentei ver por cima dele, chamei de muitas maneiras mas foi em vão. Era como se as pessoas daquele local tivessem desaparecido. Era muito estranho tudo o que se passava naquele pequeno vilarejo, mas desde que chegamos só encontramos coisas horríveis, como aqueles insetos que se parecem baratas com cabeças humanas. Enquanto discutia sobre as coisas irreais que aconteciam por ali, pulei o balcão atrás de um copo e comida. Havia uma pilha de pratos sujos na pia da cozinha, e um prato quebrado no chão, mas não havia sinais de que ali houvesse tido uma briga. Cheguei mais próximo a pia e peguei um copo que julguei um pouco mais limpo, pela aparência dele. Fui até a máquina de café e peguei um pouco. O café desceu suavemente e quente, em algum momento eu ouvi um som estranho vindo de traz de mim, mas do lado de fora da lanchonete. Cheguei ate a porta olhando cuidadosamente pelo vidro mas não consegui ver nada alem da neve que caia com mais intensidade. Fiquei por algum momento perdido olhando talvez uma pequena sombra que me chamou a atenção do outro lado da rua. Quando menos esperei algo quebrou o vidro pelo lado de fora e senti uma presença entrando pelo buraco. Pensei em sacar a arma, mas, quase não havia munição, e o que tinha teria que economizar para uma emergência. Mas ainda com a mão na arma escondida na parte de traz da minha calça, não a saquei por que eu simplesmente não conseguia ver nada entrando pela janela, apesar de sentir um calafrio imenso na espinha.
- Jessy! Jessy!?
Chamei por ela, mas logo parei. Ela estava em uma espécie de sono profundo. Desviei o meu olha dela tentando olhar em volta. Mas logo voltei minha atenção novamente para ela. Ajoelhei-me ao lado dela e comecei a acariciar seu rosto e tentei me aproximar o máximo dela para tentar esquentar o seu corpo.
- Jessy, agora acorde. Vamos... – Pronunciei em tom baixinho para não acorda-la com um susto. Ela aos poucos abria os olhos e deixava a luminosidade entrar fazendo com que seus olhos tomassem vida e cor.
- Mi... Mike?!! ... ( com um tom de voz tremido e choroso) Mike, onde estamos, o que foi que houve? Só me lembro de estar caindo e... ( se levanta meio confusa e com medo ).
- Jessy acalme-se. Esta tudo bem agora. Aquilo acabou por enquanto. Alguma coisa que eu não sei dizer ao certo o que foi, fez com que aquele pesadelo terminasse.
- BRAAAAAAAMMNNNNSSS!!
Ouviu-se um estrondo vindo dos fundos do local.
Nenhum comentário:
Postar um comentário